O que é, afinal, o Novo Inbound?
Como o inbound nasceu, por que o mecanismo dele parou de funcionar e qual é a lógica que entra no lugar.
O inbound, como ideia de participar da educação do comprador para criar demanda, continua válido. Mas o mecanismo do velho inbound para fazer isso, não. O Novo Inbound B2B é a lógica que entra no lugar desse mecanismo, com 5 etapas que funcionam em um ciclo contínuo e não em um funil linear: Posicionar, Garantir Impacto, Detectar Sinais, Iniciar Conversas e Otimizar.
Dois estados em sequência.
- Funil. Uma forma que estreita de cima para baixo, com três faixas: topo, meio e fundo. Uma entrada, uma saída, uma direção.
- Ciclo. Um anel de cinco segmentos girando continuamente, com o ICP no centro. Os segmentos, em ordem, são Posicionar, Garantir Impacto, Detectar Sinais, Iniciar Conversas e Otimizar.
Introdução
Hoje eu quero falar sobre uma coisa que eu venho batendo na tecla há, pelo menos, uns 3 anos, mas que ainda gera muita dúvida, que é o Novo Inbound.
E antes de começar, já aviso logo que a ideia deste texto não é quebrar o funil, não é combater quem ainda trabalha com inbound do jeito antigo e nem é pra ser uma aula de história…
Mas sim, eu vou ter que voltar um pouco no tempo pra te explicar como o inbound nasceu e por que ele parou de funcionar do jeito que funcionava.
Entretanto, o meu objetivo com este texto é te dar autonomia para você fazer o seu marketing gerar mais resultado hoje.
É isso, a ideia aqui é você terminar essa leitura entendendo o que tá travando a sua geração de pipeline. E, a partir desse entendimento, ter um caminho para destravar.
Porque autonomia estratégica, no marketing B2B, só existe quando você entende de onde a coisa veio, o que mudou e por quê.
Sem isso, você vira refém da próxima moda, do próximo guru ou da próxima "nova fórmula" que aparecer na sua frente no LinkedIn.
Então bora!
Cara, primeiro você tem que entender o papel do marketing
Antes de falar de inbound, de HubSpot, de qualquer coisa, é importante voltar na pergunta que sustenta tudo.
Qual é o papel do marketing?
E aqui vale uma coisa curiosa, mas importante, a palavra "marketing" vem do inglês "market", que é mercado.
Ou seja, marketing é, literalmente, a disciplina de pensar o mercado. De entender o mercado-alvo, de agir sobre o mercado-alvo.
Então, traduzindo pro seu dia a dia, o papel do marketing é fazer a sua empresa (ou o seu projeto) penetrar o mercado-alvo.
No B2B isso acontece via aquisição de novas contas. E, eventualmente, trabalhando a expansão dentro dessas contas para potencializar o máximo de receita possível.
É isso, esse é o papel do marketing!
E, convenhamos, é isso que todo mundo quer, né? Então o recorte da conversa hoje é esse...
Como é que o marketing faz uma empresa penetrar um mercado-alvo?
Com essa pergunta em mente, agora faz sentido a gente voltar e entender onde o inbound entrou nessa história.
Onde o inbound entrou (e como ele surgiu de verdade)
A história do inbound é mais interessante do que parece, e vale a pena contar direito.
Lá pelo início dos anos 2000, tinham dois caras no MIT, um chamado Brian Halligan e outro chamado Dharmesh Shah.[1]
O Brian vinha do mundo da venda.
Ele era o cara do pipeline, do outreach e da prospecção. A vida inteira dele foi ajudando empresas de tecnologia a bater meta, e ele sabia como ninguém como o jogo de outbound funcionava: cold call, lista, discagem e reunião marcada.
Só que, nessa mesma época, ele estava percebendo que cada vez mais estava difícil fazer prospecção fria funcionar (já viu esse filme? rs).
Ao mesmo tempo, no mesmo MIT, o Dharmesh mantinha um blog sobre startup chamado OnStartups.
E o negócio é que esse blog tinha uma audiência absurda, de graça e sem ele precisar caçar ninguém.
As pessoas chegavam nele sozinhas, pesquisando no Google sobre como construir uma startup, e ficavam lendo, comentando e voltando.
Quando o Brian olhou pra isso, ele teve o insight que virou o inbound.
Ele pensou, em resumo:
Cara, enquanto eu estou aqui gastando energia pra interromper pessoas que não querem ser interrompidas, o Dharmesh tem uma audiência gigante vindo espontaneamente porque ele publica conteúdo útil.
Ou seja, as pessoas estão aprendendo sozinhas sobre o assunto que a gente quer vender.
Por que não jogar esse jogo, em vez de tentar interromper?
E aqui vem um ponto que quase todo mundo esquece, e eu preciso que você grave isso.
A premissa original do inbound era criação de demanda.
Deixa eu explicar com calma, porque isso é importante.
O que o Brian e o Dharmesh perceberam é que o comprador já estava se educando sozinho.
Ele já estava indo no Google pra entender o problema dele. Ou seja, a demanda já estava sendo criada no mercado, via conteúdo.
A sacada deles não foi "inventar" a criação de demanda.
Foi entender que estava acontecendo e estruturar um jeito de participar da criação de demanda de forma organizada, usando as ferramentas digitais que estavam surgindo naquele momento (Google, blog, forms, emails, etc).
Então eles olharam para a forma como as pessoas estavam se educando em 2006 e decidiram:
"Beleza, vamos otimizar isso".
Daí nasceu o HubSpot. E o inbound virou, na prática, um método para industrializar o processo de educação de mercado.
E onde é que o lead entra nessa história?
Presta atenção aqui, porque esse é outro ponto que o mercado inteiro distorceu depois.
O formulário e o email não foram pensados como "máquina de gerar lead para mandar para vendas o quanto antes"...
Eles foram pensados como um canal de nutrição exclusivo, que permitia duas coisas ao mesmo tempo.
- Do lado do comprador, ele ganhava um canal direto com a empresa para continuar aprendendo sobre o problema dele no próprio ritmo, recebendo material relevante por email.
- Do lado do marqueteiro, ele ganhava mensuração. Conseguia observar quantos emails o cara abria, quais páginas ele visitava, em quais links ele clicava, etc. Isso virou lead scoring.
Ou seja, o lead era o meio, não o fim. O fim era educar o comprador até o ponto em que ele estivesse maduro o bastante para conversar com vendas.
E deu muito certo, né?
Essa lógica sustentou boa parte do marketing B2B dos últimos 15 anos e a própria HubSpot cresceu de dois caras no MIT para uma empresa listada em bolsa.
Só que aconteceu uma coisa no caminho.
Com o tempo, o mercado foi desgastando essa lógica…
Foi priorizando cada vez mais a parte "gerar lead" e cada vez menos a parte "educar o lead".
As metas foram ficando mais pesadas em cima de volume de MQL, os relatórios foram virando painéis de MQLs somente e vendas foi começando a cobrar "lead" e o marketing foi respondendo entregando formulário preenchido no ritmo que conseguia.
Até chegar no ponto que a gente vive hoje, onde só o lead importa, com a nutrição acontecendo depois do touch de vendas como um fluxo automatizado, genérico e sem muita eficácia.
Ou seja, o que começou como criação de demanda bem feita virou uma corrida por geração de lead.
Entende o desvio?
Linha do tempo em quatro marcos. No início dos anos 2000 o comportamento de pesquisa muda e Halligan e Shah percebem isso no MIT. Em 2006 nasce o HubSpot, e Google, blog, formulário e email viram um método para industrializar a educação de mercado, com o lead funcionando como meio e não como fim. Nos quinze anos seguintes o mercado desgasta a lógica, prioriza gerar lead e abandona educar o lead, e as metas viram volume de MQL. Agora, o Novo Inbound B2B atualiza o mecanismo sem abandonar a premissa.
Então por que o inbound do jeito antigo parou de funcionar?
Por uma razão relativamente simples.
A tecnologia sempre vai avançar, e o comportamento das pessoas muda mediante esse avanço.
Com isso, a forma de fazer marketing e vendas também tem que se adaptar a esse novo comportamento.
Sempre foi assim.
Aliás, foi exatamente isso que o Brian e o Dharmesh fizeram lá atrás…
Eles olharam pro estado da tecnologia naquele momento e entenderam que ela estava abrindo uma nova forma de participar da educação que o mercado já estava fazendo sozinho.
Ou seja, eles não inventaram "educar pra vender", eles adaptaram "educar pra vender" à tecnologia e ao comportamento daquele momento.
Agora, presta atenção, porque é aqui que tudo se conecta.
A gente tá vivendo, nesse momento, um novo salto de tecnologia e de comportamento.
Um novo momento, e esse novo momento tá mexendo de novo com as bases.
Deixa eu explicar...
A premissa do inbound, como a gente viu, é criação de demanda via educação, certo?
O comprador se educa, e a empresa participa dessa educação publicando conteúdo útil nos lugares onde ele estuda, abrindo um canal de continuidade (no caso do modelo original, email) e acompanhando o engajamento para entender quando ele está maduro pra comprar.
E que fique claro que essa premissa continua válida.
Na verdade, ela sempre esteve, marketing de conteúdo é mais antigo que tudo isso, começou no século XIX, inclusive.
Educação não vai morrer, pelo contrário, o comprador B2B precisa se educar cada vez mais, porque a tecnologia avança...
E, com isso, os problemas e suas respectivas soluções também evoluem, deixando as decisões erradas cada vez mais caras, mais complexas e com mais gente envolvida.
Resumindo, se você trabalha com marketing B2B, o seu objetivo principal é a penetração de mercado via educação (criação de demanda).
Agora, o que muda, e muda MUITO, é a forma como essa educação acontece.
E, sob essa ótica, toda a lógica do velho inbound de educação do HubSpot (Google + blog + email + formulário + lead scoring) perdeu aderência…
Não porque a ideia estava errada, mas porque os canais onde o comprador se educa hoje são outros.
E isso ocasionou 3 verdades que você, enquanto marketing, não pode ignorar.
1. A primeira verdade é a não-linearidade da jornada, principalmente em B2B.
No centro, uma conta com um comitê de compra de seis a oito pessoas, número apontado pelo Gartner. Ao redor, seis participantes, cada um entrando na jornada por um canal distinto: post no LinkedIn, podcast, grupo de WhatsApp, recomendação de um par respeitado, comunidade fechada e apresentação interna. As entradas acontecem em paralelo e em momentos diferentes.
O velho inbound assumia um caminho mais ou menos previsível…
O cara pesquisa no Google, cai no seu blog, se educa, preenche o formulário, entra no fluxo de nutrição, amadurece e fala com vendas quando o score bate.
Linha reta, um entrando de cada vez.
Só que a compra B2B nunca foi linha reta, e hoje menos ainda.
No B2B, principalmente em vendas complexas onde você trabalha em nível de conta, pode ter de 6 a 8 pessoas que participam do processo (dado do Gartner), cada uma entrando na jornada em um momento diferente e por um canal diferente.[2]
Na prática, alguém entra por um post no LinkedIn, outro por um podcast, outro porque ouviu o nome da sua empresa num grupo de WhatsApp e o outro porque um par que ele respeita comentou sobre você.
Ou seja, não tem mais UM ponto de entrada para capturar e nutrir, tem vários pontos, todos eles acontecendo em paralelo, em momentos diferentes da jornada de cada pessoa do comitê.
E o mecanismo linear simplesmente não sabe representar isso.
2. A segunda verdade é a descentralização da educação.
Comparação em duas colunas. No velho inbound, a educação do comprador acontecia no Google, no blog da empresa, no formulário e no email de nutrição, tudo mensurável de ponta a ponta em um canal só. Hoje ela acontece no LinkedIn, em podcast, em comunidades fechadas, em grupos de WhatsApp, em newsletters no LinkedIn e em conversa com pares. Esse segundo conjunto é invisível, distribuído e impossível de capturar em formulário, e é o que o mercado chama de dark social.
Essa é, na minha leitura, a mudança mais estrutural de todas.
O comprador B2B não depende mais do Google. Querendo ou não, o Google era onde a educação morava no velho inbound, hoje não é mais.
Como dito acima, hoje o comprador B2B se educa no LinkedIn, em podcast, em comunidades fechadas, em grupos de WhatsApp, em newsletters no LinkedIn (oi, rs), em conversa com pares, etc.
E mais, dados apontam que cerca de dois terços dessa educação acontece antes dele falar com qualquer vendedor.[4]
Isso é o tal dark social na prática. Invisível, distribuído e impossível de mensurar ou de capturar em formulário.
E aqui tem uma consequência prática que muita gente ainda não digeriu, o seu conteúdo precisa cada vez mais ser ungated (aberto, sem fricção).
Exatamente como esta página que você está lendo, porque o objetivo hoje é ser encontrado, consumido e compartilhado nesses espaços.
3. A terceira verdade é a comoditização do conteúdo.
Quando o velho inbound começou a funcionar, o conteúdo era diferencial.
E, lá no início, pouca empresa B2B fazia blog, poucas investiam em SEO e poucas tinham um time dedicado.
Aí o modelo pegou e o mercado percebeu. Com isso, toda empresa começou a fazer conteúdo em esteira no estilo industrial.
Criaram-se negócios inteiros para escalar isso.
Quem lembra da Rock Content aqui no Brasil? Empresa gigante, que o core era justamente entregar volume de conteúdo para alimentar a engrenagem do inbound.
E a Rock não era exceção, tinha dezenas de operações rodando nessa lógica.
Isso foi comoditizando o jogo aos poucos…
Para pra pensar quantos artigos genéricos, repetidos, sem opinião e escritos só para ranquear no Google você leu nos últimos 10 anos? Provavelmente centenas.
E agora, com IA generativa, é o tiro de misericórdia.
Qualquer um gera 50 artigos por dia, o Google tá afogado em texto sem alma, e a própria lógica de "pesquisa no Google > clique > site" tá sendo canibalizada pelo modelo de a resposta vir direto no chat das LLMs.
Então é isso, quando a gente junta estas 3 verdades, a gente chega na conclusão de que o inbound, como ideia de participar da educação do comprador para criar demanda, continua válido…
Mas o MECANISMO do velho inbound pra fazer isso, não!
E por isso, se você quer continuar penetrando o mercado (que, lembrando, é o nosso objetivo. Penetração de mercado = vender mais = trazer conta nova = expandir base = receita), você precisa entender que a forma de operar o inbound mudou.
Então o que fazer? É aqui que entra o Novo Inbound
Olha, faz uns 2 ou 3 anos que a B2B Insiders começou a bater nessa tecla.
Quem acompanha a gente sabe que fomos os primeiros a falar sobre isso aqui no Brasil, antes mesmo de artigos lá de fora sobre a morte dos MQLs, etc.
Nós também fomos os primeiros a falar sobre a "morte do funil" e sobre a necessidade de um novo inbound.
Na época, para você ter uma ideia, não tinha nem AI, mas a gente já estava percebendo que o velho inbound dava sinais de desgaste.
Tanto é que hoje virou conversa no feed de 8 em cada 10 heads de marketing B2B.
E durante esses anos, a gente não somente quebrou o funil, a gente também começou a construir algo mais alinhado ao momento como as pessoas se educam e compram hoje em dia.
Chamamos isso, claro, de Novo Inbound, que já estamos operando e gerando valor para clientes e alunos. Vou te apresentar a lógica dele abaixo.
A lógica do Novo Inbound tem 5 etapas que funcionam em um ciclo contínuo, não em um funil linear.
São elas: Posicionar, Garantir Impacto, Detectar Sinais, Iniciar Conversas e Otimizar.
Comparação em duas colunas. À esquerda, o funil linear do velho inbound, com as faixas topo, meio e fundo: linha reta, um de cada vez, dependente do Google. À direita, o ciclo contínuo do Novo Inbound B2B: cinco etapas ao redor do ICP, que são Posicionar, Garantir Impacto, Detectar Sinais, Iniciar Conversas e Otimizar, com vários canais em paralelo, sinal em três camadas e conversa com contexto.
As 5 etapas do Novo Inbound B2B
Um anel dividido em cinco segmentos iguais, com uma seta de rotação por fora indicando movimento contínuo. Os segmentos, em ordem, são Posicionar, Garantir Impacto, Detectar Sinais, Iniciar Conversas e Otimizar. No centro do anel está escrito Penetração de mercado, que é o objetivo do marketing segundo o método.
Durante a leitura das cinco etapas, o segmento correspondente é destacado. O destaque é um apoio de leitura e não é necessário para entender o diagrama.
Posicionar
Uma das coisas que mais me incomodou no velho inbound é que você trabalhava para um funil, não para o seu mercado-alvo.
O resultado disso é que toda uma geração de profissionais foi educada dentro da linha de nutrição de um martech e hoje não consegue pensar sobre posicionamento de verdade.
Por isso que, antes de qualquer coisa, você precisa saber pra quem você fala, qual é a maturidade de mercado dele e quais são os seus diferenciais em nível de solução.
E tem método para isso, tá? Posicionamento é maturidade de mercado + diferenciais (tem conteúdos meus sobre isso no meu feed).
Deixa eu explicar de forma bem direta.
Maturidade de mercado é sobre como o seu ICP já soluciona o seu problema. E ela acontece em três níveis.
No nível mais baixo, ele ainda tá se conscientizando sobre o problema.
Ou seja, ele sente uma dor, mas não sabe direito o nome dela ainda, não sabe que existe uma categoria inteira de solução pra aquilo, não conectou a dor com a consequência no negócio dele.
Quer exemplo? Eu te educando aqui que você tem um problema com o velho inbound, rs.
No nível de categoria, ele já entendeu o problema e está avaliando a categoria de solução.
Aqui eu gosto de frisar algo importante: categoria é a forma de solucionar o problema. Se o mercado ainda não vê a sua categoria como a forma óbvia de solucionar o problema, você tem sim que educar em nível de categoria.
Exemplo: eu te mostrando que há uma nova forma de solucionar o problema do velho inbound. E chama-se Novo Inbound (em nível de categoria).
No nível de produto, a sua audiência já sabe que tem o problema e todo mundo já entende que a sua categoria é a forma óbvia de solução.
Aí, nesse caso, você tem que trabalhar o porquê de você, enquanto empresa, ser a melhor opção dentro daquela categoria.
Exemplo: digamos que todo mundo já entenda que o Novo Inbound é uma realidade, meu papel aqui seria educar por que a forma de trabalho da B2B Insiders é a melhor. Mas o meu ICP (olá!) ainda não está em nível de produto, o mercado está em nível de problema > categoria. Entende?
Portanto, saber em qual desses três níveis o seu mercado-alvo está muda TUDO.
Muda a mensagem, muda o conteúdo, muda o canal, muda o ritmo e pode até mudar a oferta (4 Ps, né?).
Agora, os diferenciais.
Diferencial é o que a sua solução faz que a do concorrente não faz.
Mas atenção, não é qualquer diferença, tem que ser uma diferença que impacte diretamente na solução do problema do ICP.
Porque o mercado tá cheio de empresa listando "diferencial" que só importa pra ela mesma.
E sobre os diferenciais, o ideal é sempre escolher de 1 a 2 no máximo dentre 5 frentes, que são elas:
- Custo
- Produto
- Entrega
- Nicho
- Autoridade
Quando você junta os dois (maturidade do seu mercado + quais diferenciais reais te separam do concorrente), você tem posicionamento forte.
E posicionamento é papel do marketing.
Bom, agora vamos para o segundo ponto, que é a garantia de impacto.
Garantir Impacto
O ponto é, um bom posicionamento só existe se o mercado te enxergar, né?
Então o segundo passo é garantir que a sua mensagem, o seu conteúdo e a sua marca cheguem nos olhos e nos ouvidos do ICP de forma consistente.
E aqui não estou falando de "postar três vezes por semana no LinkedIn", rs.
Estou falando de entender o comportamento do seu ICP e escolher as melhores táticas...
De entender o padrão de comportamento e ocupar espaço no dark social do seu comprador: no feed dele, no podcast que ele escuta, na comunidade que ele participa e no evento que ele vai participar.
É aqui que a criação de demanda acontece de verdade (awareness, consideração e confiança). E é daqui que sai a base que sustenta tudo o que vem depois.
Detectar Sinais
Aqui é onde o Novo Inbound se diferencia bem do velho inbound.
No modelo antigo, o principal sinal que o marketing conseguia ler era "preencheu formulário e abriu email". E isso tinha lógica, porque, naquela época, era o que a tecnologia permitia ler de comportamento digital em escala.
Hoje, sinal é muito mais coisa, porque a educação acontece em muito mais lugar.
Sinal é curtir um post, comentar, compartilhar, visitar sua página (via website visitor tracking), engajar com um thought leader do seu time, entrar numa comunidade que você monitora, responder uma enquete, assistir um webinar, etc.
E detectar esses sinais em escala, de forma organizada, é o que separa quem joga o jogo novo de quem ainda tá esperando o lead preencher formulário pra "saber que ele existe".
Iniciar Conversas
Aí sim, com sinal detectado, você começa uma conversa.
E aqui no iniciar conversas não é somente outbound não, é também inbound.
Um lead inbound, por exemplo, é um sinal de intenção alta, que inicia uma conversa.
Mas os sinais também existem, obviamente, para iniciar conversas com contexto via outbound.
Essa é exatamente a parte que conecta criação de demanda (que aconteceu no passo 2, no garantir impacto) com captura de demanda (que acontece agora).
No modelo de 2006, essa ponte era feita por um mecanismo só: o lead nutrido por email até "amadurecer". Hoje, como a educação não acontece mais principalmente por email, a ponte tem que ser construída em cima dos sinais reais que o ICP deixa pelo caminho.
Otimizar
Por fim, o ciclo se fecha aprendendo.
Quais sinais viraram conversa? Quais conversas viraram pipeline? Qual conteúdo gerou mais engajamento do ICP certo? Qual tese de posicionamento ressoou de verdade?
Você não vai acertar de primeira, e nem deveria, sabe por quê?
Porque a estratégia é sobre a sua audiência. E sem os dados gerados é impossível saber o que funciona e o que não funciona.
Ou seja, otimizar não é para cumprir tabela, é parte fundamental do processo.
É por isso que a gente chama de ciclo contínuo e não de funil.
Porque não tem começo e fim, tem uma engrenagem girando. E cada volta te ensina alguma coisa sobre como girar melhor na próxima.
"Tá, David, mas e as métricas? Como eu meço tudo isso?"
Tenho que admitir, nesses 3 anos em que a gente vem batendo no funil e na dependência dos MQLs, a pergunta que a gente mais ouve é sobre mensuração.
E pô, eu super entendo! Se tem uma coisa que o velho inbound faz bem é passar essa (falsa) sensação de controle.
Mas a verdade é que CTR, CPC, taxa de conversão de landing page, Leads e CPL sozinhos não dão mais conta.
Eles foram desenhados pra um mundo de funil linear e pra ler sinal de um canal só. Aqui a gente tá lendo sinal de um monte de lugar diferente ao mesmo tempo.
E aqui vai um ponto que eu quero que fique MUITO claro antes de eu entrar na parte prática.
As suas métricas são consequência das táticas que você escolhe rodar lá no passo 2 (Garantir Impacto).
Cada tática tem o conjunto de métricas que ela permite ler, e é por isso que não dá pra olhar "métrica" sem olhar "tática" junto.
Um podcast tem métricas diferentes de um post de thought leader no LinkedIn, que tem métricas diferentes de um lead magnet, que tem métricas diferentes de uma demo agendada.
O que ajuda a organizar isso tudo é separar as métricas em três níveis. E eu faço essa separação baseado numa pergunta simples: o que eu sei sobre quem gerou esse sinal?
Deixa eu explicar cada um.
Métricas invisíveis
Métricas invisíveis são aquelas em que você consegue medir o sinal, mas não sabe quem é a pessoa nem que empresa ela representa.
Exemplos: plays de podcast, views de YouTube, impressões de post no LinkedIn, impressões de campanha de mídia paga, etc.
Você sabe que aquela coisa aconteceu, sabe quanto aconteceu. Mas não sabe o nome de ninguém.
E aqui vai um ponto que muita gente subestima, a maior parte do processo de educação do comprador B2B acontece justamente em táticas que só geram métricas invisíveis.
Podcast, vídeo no YouTube, post no feed do LinkedIn, lendo uma newsletter no LinkedIn (oi, quem é você aí do outro lado? rs). É no invisível que a criação de demanda acontece, na prática.
Métricas visíveis
Métricas visíveis são aquelas em que você sabe quem é a pessoa ou a empresa, mesmo que ela não tenha te entregado o dado ativamente.
Exemplos: curtida em post no LinkedIn, comentário (no LinkedIn, no YouTube, no blog), compartilhamento, visitor tracking de empresa no seu site, reação em post de thought leader do seu time, etc.
Ou seja, a pessoa não necessariamente preencheu formulário, não deu email, não levantou a mão, mas o comportamento dela te disse o nome dela.
E presta atenção nisso: métrica visível no LinkedIn, especialmente, é um sinal fortíssimo...
Porque ela vem com contexto de identidade, cargo, empresa e setor. É outro nível de leitura comparado com "play de podcast de uma pessoa que eu não sei quem é".
Métricas de intenção
As métricas do Novo Inbound B2B se organizam em três camadas lado a lado, sem hierarquia entre elas, definidas por quanto se sabe sobre quem gerou o sinal.
- Invisíveis: plays de podcast, views de YouTube, impressões de post e de mídia paga. Você mede o sinal e não sabe o nome de ninguém.
- Visíveis: curtida, comentário, compartilhamento, visitor tracking de empresa e reação em post de thought leader. A pessoa não preencheu formulário, mas o comportamento dela disse o nome dela.
- De intenção: divididas em intenção baixa, quando a pessoa deu o contato em troca de algo, e intenção alta, quando ela quer falar com você.
A maior parte da educação do comprador B2B acontece nas táticas que só geram métrica invisível.
Métricas de intenção são aquelas em que a pessoa, de forma espontânea, te entregou o contato dela.
E aqui dentro, tem duas subcamadas.
Intenção baixa: a pessoa te deu o contato em troca de algo, mas não necessariamente pra conversar com você.
Ela baixou um material exclusivo, comentou num lead magnet pra receber um conteúdo, se inscreveu pra participar de um webinar, se inscreveu na sua newsletter.
É intenção, mas a disposição real de comprar ainda tá baixa.
Intenção alta: aí sim, a pessoa quer falar com você.
Pedido de demo, pedido pra conversar com vendas, formulário de contato comercial. É mais próximo do MQL, mas com uma diferença importante, aqui a pessoa pediu, não foi o marketing que "graduou" ela num score.
O erro clássico
E aqui vai um erro clássico que eu quero te poupar:
Não existe isso de "métrica de intenção é melhor que métrica invisível".
Não é verdade, elas medem coisas diferentes, em momentos diferentes do processo e em táticas diferentes.
Uma tática de podcast, por exemplo, vai gerar quase 100% de métrica invisível.
E isso não quer dizer que a tática não funciona. Na verdade, quer dizer que ela tá cumprindo o papel dela (educar, criar demanda no invisível) e que o sinal de intenção vai aparecer DEPOIS, em outra tática (provavelmente no visível ou no formulário de contato).
Por isso a regra é: você tem que olhar as três camadas de métricas de frente pras táticas que tá rodando. Sempre.
E pra ficar ainda mais concreto, olha só esse exemplo aqui em tempo real:
A versão desta news que eu publiquei no LinkedIn, eu consigo medir algumas coisas invisíveis:
- Quantas pessoas foram impactadas,
- Quantas visualizações ela teve
- Quantos salvamentos (que eu acompanho bastante, inclusive). Eu não sei quem salvou, mas sei que foi salvo.
Agora, se você curtir ou comentar por lá (comenta, vai, rs), a partir desse momento a métrica vira visível, porque eu passo a saber exatamente quem você é, em que empresa você trabalha, qual é o seu cargo, etc.
E se, em algum momento depois, você clicar num convite lá no fim e se inscrever (sim, tem convite no final do texto, rs), aí você já me entregou uma métrica de intenção (baixa, nesse caso específico, porque ainda é educação).
Um sinal só, três camadas diferentes, dependendo da interação que você escolher ter comigo.
Com isso, o próximo passo natural de quem quer operar isso de verdade é cruzar essas três camadas.
É olhar pras métricas invisíveis, visíveis e de intenção juntas e começar a ler a penetração de mercado como um sistema.
Porque é a partir daí que você começa a construir as suas métricas antecedentes de penetração de mercado.
Mas olha, métrica antecedente e métrica resultante, meu amigo, é assunto pra outro texto, rs. Senão a gente não termina essa aqui hoje.
O aprendizado volta ao posicionamento e o ciclo recomeça
Fluxo em cinco passos ligando as etapas do ciclo às camadas de métrica. Posicionar define para quem você fala. Garantir Impacto gera métrica invisível. Detectar Sinais transforma parte disso em métrica visível. Iniciar Conversas é onde a intenção aparece. Otimizar lê as três camadas juntas e devolve o aprendizado ao posicionamento. As métricas são consequência das táticas escolhidas no Garantir Impacto.
Para finalizar...
Tudo que eu te expliquei aqui (a origem do inbound, o desvio que o mercado fez no caminho, as três mudanças de paradigma e os 5 passos do ciclo e a lógica das três camadas de métricas) é metodologia proprietária do B2B Insiders.
É o que a gente chama de Novo Inbound B2B.
E é o que a gente vem aplicando nos clientes que rodam a nossa operação de Geração de Demanda.
E olha, se este texto te deixou com mais perguntas do que respostas, isso é bom, viu?
Significa que você tá começando a enxergar o tamanho real do jogo.
Mas antes de você sair concordando ou discordando (e você pode discordar, inclusive, faz parte), eu quero te convidar pra duas coisas.
A primeira é conhecer a B2B Insiders, que é onde a gente aplica esse método todo dia, com cliente rodando operação de Geração de Demanda de verdade.
A segunda é a Formação em Geração de Demanda B2B, que é onde eu ensino o Novo Inbound passo a passo. Lá eu mostro não só o "o quê", mas o "como"...
Como posicionar, como construir presença sem depender de Google, como detectar sinais em escala, como iniciar conversa sem parecer cold outbound e como montar o painel de métricas invisíveis, visíveis e de intenção pra orientar o time no dia a dia.
Se você quer autonomia pra decidir o seu próximo passo de marketing, sem ficar refém da próxima moda, e se você quer que o seu marketing volte a gerar resultado de verdade, é por ali que eu começaria.
Até a próxima,
David Costa Lima
Perguntas frequentes
O Novo Inbound B2B é metodologia proprietária do B2B Insiders. A lógica dele tem 5 etapas que funcionam em um ciclo contínuo, não em um funil linear:
- Posicionar
- Garantir Impacto
- Detectar Sinais
- Iniciar Conversas
- Otimizar
Ele mantém a premissa original do inbound, que é criação de demanda via educação, e troca o mecanismo, porque os canais onde o comprador se educa hoje são outros.
Não. O inbound, como ideia de participar da educação do comprador para criar demanda, continua válido.
Mas o mecanismo do velho inbound pra fazer isso, não. Google, blog, email, formulário e lead scoring perderam aderência, não porque a ideia estava errada, mas porque os canais onde o comprador se educa hoje são outros.
A palavra marketing vem do inglês market, que é mercado. Marketing é, literalmente, a disciplina de pensar o mercado.
Traduzindo pro dia a dia, o papel do marketing é fazer a sua empresa penetrar o mercado-alvo. No B2B isso acontece via aquisição de novas contas e, eventualmente, via expansão dentro dessas contas.
Por três verdades que mudaram o jogo.
- A não-linearidade da jornada.
- A descentralização da educação, que saiu do Google e foi para o LinkedIn, podcast, comunidades e grupos de WhatsApp.
- A comoditização do conteúdo, que a IA generativa acelerou.
Em vendas complexas, onde você trabalha em nível de conta, pode ter de 6 a 8 pessoas participando do processo, segundo o Gartner.
Cada uma entra na jornada em um momento diferente e por um canal diferente. Não tem mais um ponto de entrada para capturar e nutrir.
É onde a educação do comprador B2B acontece hoje e a empresa não consegue observar: LinkedIn, podcast, comunidades fechadas, grupos de WhatsApp, newsletters e conversa com pares.
Invisível, distribuído e impossível de mensurar ou de capturar em formulário. É por isso que o conteúdo precisa cada vez mais ser ungated, ou seja, aberto e sem fricção.
É sobre como o seu ICP já soluciona o seu problema, e acontece em três níveis.
- Problema: ele sente a dor mas não sabe o nome dela.
- Categoria: já entendeu o problema e avalia a forma de solucionar.
- Produto: já sabe que tem o problema e entende a categoria, então a disputa é entre fornecedores.
Saber em qual nível o seu mercado-alvo está muda a mensagem, o conteúdo, o canal, o ritmo e pode até mudar a oferta.
São as três camadas de métrica do Novo Inbound B2B, separadas por uma pergunta simples: o que eu sei sobre quem gerou esse sinal?
- Invisível: você mede o sinal mas não sabe quem é a pessoa, como play de podcast e impressão de post.
- Visível: o comportamento te diz o nome dela, como curtida e comentário.
- De intenção: ela te entrega o contato de forma espontânea.
O que morreu foi a corrida por volume de MQL, que fez o marketing priorizar gerar lead e abandonar educar o lead.
A métrica de intenção alta, que é pedido de demo ou contato comercial, é mais próxima do MQL, mas com uma diferença importante: aqui a pessoa pediu, não foi o marketing que graduou ela num score.
Criação de demanda acontece no Garantir Impacto, quando você ocupa espaço no dark social do comprador e constrói awareness, consideração e confiança.
Captura de demanda acontece no Iniciar Conversas. A ponte entre as duas, que em 2006 era o lead nutrido por email até amadurecer, hoje tem que ser construída em cima dos sinais reais que o ICP deixa pelo caminho.
É a estratégia criada em 2006 por Brian Halligan e Dharmesh Shah, os fundadores do HubSpot, para atrair o comprador por meio de conteúdo útil em vez de interromper ele com propaganda. A premissa é participar da educação de quem tem o problema, para ser lembrado quando o momento de compra chegar.
Essa premissa continua válida. O que envelheceu foi o mecanismo de Google, blog, formulário e email, porque o comprador B2B passou a se educar em outros canais. É essa atualização que esta página descreve.
No desenho clássico do HubSpot, as quatro etapas são:
- Atrair visitantes com conteúdo.
- Converter o visitante em lead pelo formulário.
- Fechar a venda com nutrição.
- Encantar o cliente para gerar recomendação.
Esse desenho assume que a jornada é linear e que o formulário é a porta de entrada. Em vendas complexas B2B as duas premissas deixaram de valer, e é por isso que o ciclo do Novo Inbound B2B trabalha com outras cinco etapas: Posicionar, Garantir Impacto, Detectar Sinais, Iniciar Conversas e Otimizar.
O funil clássico divide a jornada em topo, meio e fundo.
- Topo: a pessoa descobre que tem um problema.
- Meio: ela avalia as formas de resolver.
- Fundo: ela decide com quem resolver.
A divisão ainda ajuda a organizar conteúdo, mas como retrato da compra B2B ela envelheceu, porque as pessoas do comitê entram na jornada em momentos e canais diferentes e ninguém desce em linha reta. É por isso que o Novo Inbound B2B trabalha um ciclo contínuo, e não um funil.
No desenho mais comum:
- Prospecção
- Qualificação
- Proposta
- Fechamento
Há quem resuma em 3 fases, juntando qualificação e proposta numa etapa de avaliação, e quem estique para 5 ou 7, mas a lógica é sempre a mesma: o negócio avança por estágios até fechar.
Como ferramenta de gestão de pipeline, o funil de vendas continua útil. O que mudou foi o que entra nele: em vez de MQL graduado por score, conversa iniciada com contexto, construída em cima de sinal real do ICP.
É o marketing de empresa que vende para outra empresa. A diferença para o B2C não é cosmética, porque no B2B a decisão é coletiva, o ciclo é mais longo e o ticket é maior, e isso muda canal, mensagem e métrica.
E B2B não é um bloco único. Quanto maior o ticket e mais complexa a venda, menos a compra se parece com um clique e mais se parece com um projeto. É para esse cenário de vendas complexas que o Novo Inbound B2B foi desenhado.
B2B é a sigla de business to business, a transação em que quem compra e quem vende são empresas. Em compras, o termo diferencia a aquisição corporativa, que envolve requisitos, orçamento e aprovação de mais de uma área, da compra de consumidor final.
É essa estrutura de aprovação que torna a venda complexa, porque cada área envolvida tem uma dor e um poder de veto diferentes, e é ela que o funil linear não consegue descrever.
O Gartner mapeia seis trabalhos que o comprador precisa completar:
- Identificar o problema
- Explorar soluções
- Construir requisitos
- Selecionar o fornecedor
- Validar a escolha
- Criar consenso interno
O ponto que muda o jogo é que esses trabalhos não acontecem em sequência. O comitê revisita cada um deles várias vezes, em canais que a empresa não enxerga, e é por isso que o ciclo de vendas complexo leva meses e o vendedor entra tarde na história.
Geração de demanda é a disciplina que trabalha a demanda de ponta a ponta, em quatro movimentos que rodam em paralelo:
- Criar demanda educando quem ainda não está comprando.
- Capturar quem entrou em busca ativa.
- Converter a demanda em receita.
- Expandir dentro das contas que viraram cliente.
A diferença para a geração de leads está no escopo. Gerar lead é uma tática de captura, enquanto gerar demanda inclui educar a grande maioria do mercado que ainda não está em momento de compra, e é nessa parte que a maior parte das operações B2B falha.
É a disposição de empresas de investir numa solução para um problema de negócio. A régua mais útil para ler essa demanda é a regra 95/5, do Ehrenberg-Bass Institute: em um dado momento, cerca de 5% do mercado está comprando ativamente, e os outros 95% só vão entrar em momento de compra no futuro.[3]
Quem disputa apenas os 5% briga por preço com todos os concorrentes ao mesmo tempo. Quem educa os 95% chega na compra futura como a opção considerada primeiro.
MQL significa Marketing Qualified Lead, o lead qualificado pelo marketing. Na prática, é a pessoa que atingiu uma pontuação de comportamento no lead scoring e por isso foi passada para o time de vendas.
O problema não é a sigla, é o que ela virou: meta de volume. Quando a meta passa a ser volume de MQL, o marketing troca educar o mercado por colher formulário, e essa é exatamente a corrida que desgastou o velho inbound.
MQL é o lead que o marketing qualificou por pontuação de comportamento. SQL é o Sales Qualified Lead, o lead que o time de vendas avaliou e aceitou como oportunidade real de pipeline.
A passagem de MQL para SQL é onde o modelo clássico mais perde, porque boa parte dos MQLs nunca vira SQL: a pessoa baixou um material por curiosidade, o score subiu e a intenção de compra nunca existiu. Um sinal visível de quem é ICP diz mais que um score.
São dimensões diferentes. ICP é fit: a conta reúne as características que a habilitam a sofrer o problema que você resolve, e isso não muda com engajamento. MQL é sinal: uma pontuação de comportamento que tenta estimar interesse.
Uma conta pode ser ICP e nunca ter engajado, porque o momento de compra ainda não chegou, e um lead pode engajar muito sem ser ICP. O trabalho de geração de demanda é criar sinais dentro do ICP, sem confundir as duas coisas.
A classificação mais comum divide em lead frio, morno e quente, pelo grau de interesse demonstrado. Outra classificação usual é MQL, SQL e PQL, pelo dono da qualificação: marketing, vendas ou o próprio produto.
No Novo Inbound B2B, a divisão que orienta a operação é outra, a das três camadas de métrica. O que importa não é o rótulo do lead, é o que você sabe sobre quem gerou o sinal: nada na camada invisível, nome e empresa na visível, pedido de contato na de intenção.
Glossário
- Penetração de mercado
- Fazer a empresa entrar e crescer no mercado-alvo. No B2B, via aquisição de novas contas e expansão dentro delas. É o objetivo do marketing.
- Criação de demanda
- Participar da educação do comprador para que ele reconheça o problema e considere a categoria. É a premissa original do inbound e acontece na etapa Garantir Impacto.
- Captura de demanda
- Converter em conversa quem já demonstrou sinal. Acontece na etapa Iniciar Conversas, por inbound ou por outbound com contexto.
- Maturidade de mercado
- Como o ICP já soluciona o problema, em três níveis: problema, categoria e produto. Junto com os diferenciais, forma o posicionamento.
- Diferenciais
- O que a sua solução faz que a do concorrente não faz, e que impacta diretamente na solução do problema do ICP. Escolha de 1 a 2 dentre custo, produto, entrega, nicho e autoridade.
- Métrica invisível
- Você mede o sinal, mas não sabe quem é a pessoa nem a empresa. Plays de podcast, views de YouTube, impressões. É onde a criação de demanda acontece na prática.
- Métrica visível
- Você sabe quem é a pessoa ou a empresa mesmo sem ela ter entregado o dado. Curtida, comentário, compartilhamento, visitor tracking.
- Métrica de intenção
- A pessoa entregou o contato de forma espontânea. Intenção baixa quando foi em troca de algo, intenção alta quando ela quer falar com você.
- MQL
- Lead qualificado por marketing, graduado por score. Virou unidade de entrega quando o mercado trocou educar o lead por gerar lead.
- Lead scoring
- Pontuação de comportamento digital criada no inbound original para estimar quando o comprador estava maduro para conversar com vendas.
- Ungated
- Conteúdo aberto, sem formulário e sem fricção. Necessário quando o objetivo é ser encontrado, consumido e compartilhado no dark social.
- ICP
- O perfil de cliente que a empresa escolheu disputar. É a partir dele que se define maturidade de mercado, mensagem, canal e tática.
- Thought leader
- Pessoa do time que publica em nome próprio e cuja audiência gera sinal visível, com identidade, cargo, empresa e setor.
- Funil de vendas
- O desenho linear que organiza a venda em estágios, da prospecção ao fechamento. Continua útil como gestão de pipeline; como retrato da jornada de compra em venda complexa, não descreve mais a realidade.
- SQL
- Sales Qualified Lead. O lead que o time de vendas avaliou e aceitou como oportunidade real de pipeline. No modelo clássico, vem depois do MQL.
- MQL vs SQL
- O MQL é graduado pelo marketing, por score de comportamento. O SQL é aceito por vendas, depois de avaliar fit e momento. A passagem de um para o outro é onde o modelo clássico mais perde negócio.
- Demand generation
- O nome em inglês da geração de demanda: criar, capturar, converter e expandir demanda, em movimentos paralelos. Não é sinônimo de gerar lead, que é só a parte de captura.
- In-market
- A fatia do mercado que está em momento ativo de compra agora, os cerca de 5% da regra 95/5. O restante é comprador futuro, terreno da criação de demanda.